A Aranha e a Mosca

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Jose Guimaraes|A Aranha e a Mosca

Uma Aranha tecia muito tranquilamente sua casa: uma armadilha infalível para pegar qualquer inseto que por ali passasse.

Todavia, uma descuidada Mosca passou pelo local e se prendeu na teia.

A desventurada voadora, quanto mais se debatia, mais se enroscava nos fios. Não bastando isso, ainda tinha a infelicidade de ver a aranha se aproximar, muito lentamente, ameaçadora, impiedosa, mostrando suas patas serrilhadas e pegajosas. Aaaiii!

- Oh, Dona Aranha – suplicou a pobre Mosca. – Me liberta daqui, por favor. Me tire deste tormento angustiante. É muito sofrimento.

- Hum, que pretensão essa sua! – sorriu a Aranha muito maldosa e vaidosa, com desdém. – Eu, libertar você daqui? Imagina! Era só o que faltava! – Levantou uma pata e depois completou: – Você é minha presa, presa, ouviu! Caiu na arma… Isto é, na minha teia; e virou prisioneira, minha prisioneira! Entendeu? E agora darei a você o destino que eeeuuu quiser.

- Caí na sua teia, Dona Aranha,  porque não sabia que estava aqui – defendeu-se a Mosca. – Eu não a vi quando voava distraída para cá. – Por favor, Dona Aranha, por piedade,  me liberte! Nunca mais passarei por aqui.

- Não, não e não! Não vou libertar você e pronto! Devia ter prestado atenção no caminho por onde anda. Na próxima vez, preste mais atenção.

Ao dizer isso, a aranha riu:

- Menina, que estou a lhe dizer eu? Próxima vez? Ah, ah! Próxima vez! Que pena, coitadinha… Mas não tem próxima vez,  não! Porque agora você é minha prisioneisa e não tem chance de escapar.

Só que nesse momento passou um gavião. Arrastou parte da teia com suas asas. A Aranha por pouco não foi esmagada. Equilibrou-se no ar e gritou:
- Socorro!

Ninguém ali poderia ajudá-la, claro, a não ser a mosca, que a orientou como sair do apuro.

Depois do susto, a Aranha voltou à pose anterior. Isto é, ao domínio da situação.

Sentindo-se mesmo perdida, a Mosca a desafiou:
- Já que você prende todos os que caem em sua teia, por que não prendeu o gavião?

A aranha, soberba como sempre, pensou, pensou e depois respondeu:
- Simplesmente porque não gosto da carne de gavião. É muito amarga.

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